O nosso herói, do nada, se apercebeu o que tinha que fazer ou se preferirmos qual era o seu papel a sua parte o seu contributo, para acabar com as guerras no mundo.
Fez algumas pesquisas, tratou de algumas questões logísticas e estava decidido, era hora de voltar a estrada de novo ou melhor ao céu.
Entrou no seu jacto particular e voou ao encontro do seu amigo, um hacker, que lhe evitava o máximo possível e quase não comparecia em encontros presenciais. Tentando evitar o re encontro o hacker perguntou qual era o assunto mas a única resposta que teve foi que precisavam se encontrar e falar pessoalmente.
Num passado distante separaram-se como se jamais voltassem a falar um com o outro, se encontrarem então, era tão improvável, era como se tivessem toda certeza que jamais iam precisar um do outro mas o nosso herói perante as novas circunstâncias não tinha a quem mais recorrer para confiar as suas descobertas e partilhar o seu plano que precisava de toda ajuda do mundo para dar certo.
O hacker disse ao nosso herói que ele estava algures no último continente na Oceania mas ambos sabiam que ele estava algures nas Américas, só o disse na tentativa de fazer o nosso herói desistir da ideia de um encontro presencial, pois algures naquele continente estava também a única mulher que mexia com o coração do nosso herói para não dizer que bagunçou tudo e bazou.
Os três eram inseparáveis, desde que se conheciam como gente, mesma cidade, mesmas escolas, piscinas, restaurantes, cinemas, pistas, praças praias em fim podia-se até afirmar que um era o backup do outro, eram totalmente livres, por isso cada um fazia exactamente o que queria, até que a adrenalina já não era mais novidade e começaram a juntar forças por causas que trouxessem algum conforto as suas almas aventureiras. Já tinham feito de tudo, eventos de angariação de fundos, doações mas a cidade continuava tensa como se alguma força maior pairasse por aí, lhes impendido de libertar os oprimidos. Daí surgiu a ideia de fazer coisas muito mais simples, sem dar muito nas vistas, quem se sentia a perder era ela a dona do pedaço que brilhava e abrilhantava os eventos com sua beleza e o mais importante a sua voz a sua arte a música mas chega sempre um momento que o melhor mesmo é seguir a manada e não só seguir por seguir mas sim seguir porque faz sentido. Entre tantos projectos que eles tinham em mente o primeiro era para acabar com as longas filas no departamento do Conselho Municipal para o pagamento do manifesto e taxa de radio das viaturas.
Criaram um programa, colocaram na nuvem, testaram e tudo funcionava a mil maravilhas o dinheiro ia simplesmente cair na conta do município sem nenhum problema. E tudo que o munícipe tinha que fazer era enviar “fazer upload” do scanner do livrete da viatura, o sistema fazia todos os cálculos e dava mil e uma opções de métodos de pagamentos, desde das tradicionais contas bancárias, aos dinheiros electrónicos e inclusive as criptomoedas, para além de que tinham também testado uma versão para os telefones sem internet as famosas cebolinhas e facilmente podia se incorporar nas ATMs POS e por aí em diante. Ficaram os três tão empolgados pois só pensavam nas vantagens, viam aqueles todos funcionários e funcionárias do departamento de manifestos e taxas de rádio, aquele processo todo, desde a facturação e cadrastamento até os caixas no pagamento, todos eles teriam mais tempo para cuidar de outros assuntos de interesse do Conselho Municipal, assuntos que justificassem a presença humana e tanto o conselho municipal como os munícipes que deixariam de ter que parar de aturar aquelas enchentes e longas filas, todo mundo saia a ganhar.
Se conformaram que tomaram a melhor decisão – isso é que é crescer agora somos adultos fazemos coisas sérias – diziam-se entre eles.
Entretanto os problemas começaram quando se aproximaram ao município e nem lhes deixaram apresentar o projecto ao presidente do município, simplesmente lhes responderam que se o programa era tão bom assim talvez deviam ir para a companhia das águas, a eletricidade ou coisa parecida mas que deviam deixar o Conselho Municipal em paz porque não estava a precisar de ajuda alguma.
Foi nessa lenga lenga de vai aqui vai ali que ficaram a saber do braço de ferro entre o Conselho Municipal e a Companhia das Águas, nada estava claro mas as duas entidades estavam tentando uma parceria que desnorteio os três jovens mas não era suficiente para desistirem do seu projecto inicial: acabar com as longas filas para o pagamento de manifesto e taxa de rádio das viaturas.
O nosso herói pediu ao seu amigo hacker para encontrar uma forma de gravarem todas as sessões e monitorar os movimentos de todas peças chaves nesse vuco-vuco.
Era tão evidente que existia ali um vilão manipulando as peças, mas estava tudo muito turvo, não se percebia o quê de facto estava a acontecer mas o trio decidiu e se comprometeu que seja qual fosse o mistério eles iam desvendar. – Seja quem for o vilão nos vamos descobrir – diziam eles.
Tentaram seguir o caminho normal e foram escorraçados logo na entrada, tinham que mudar de métodos, afinal eram os donos daquela cidade, brincavam com o filho do presidente do Conselho Municipal e o próprio presidente devia saber do que eles eram capazes, começaram a ver a diferença entre eventos de angariação de fundos com a decisão que haviam tomado pensando que era para darem menos nas vistas serem mais discretos e fazerem coisas mais simples.
⁃ Só pode ser isso, isso agora é vida de adulto e vida de adulto só tem complicação, mas vamos nessa pessoal – diziam entre eles.
E foram nessa mesmo, conseguiram apresentar o projecto directamente ao Presidente do Município claro foi um encontro informal e o presidente gostou e disse para os jovens que deviam ir ao seu gabinete para lhes apresentar o vereador com quem deviam trabalhar para dar vida ao projeto. Dito e feito os três conseguiram romper aquela barreira mas ficou o ponto de interrogação!!!?
⁃ E o jovem comum e se fôssemos jovens comuns será que alguma vez teríamos rompido esta barreira? – se perguntavam.
Já no gabinete do presidente, o vereador apareceu, o presidente atualizou-o e os jovens saíram para apresentar o projecto ao vereador, depois da apresentação voltaram para se despedir do presidente que perguntou ao vereador na presença dos jovens:
⁃ Então senhor vereador, gostou do projecto?
⁃ Gostei sim Sr. presidente.
⁃ Então mãos à obra, façam isso acontecer, maior parte do trabalho já está feito vejam como interligar esses sistemas e começarmos a usar essa plataforma.
⁃ Está certo Sr. Presidente.
Dirigindo-se ao trio o presidente do município disse:
⁃ Meus caros jovens muito obrigado, trabalhem com o vereador e me atualizem quando terminarem – e o nosso herói representado o trio respondeu:
⁃ É um simples trabalho Sr. Presidente, por agora, deixe a parte técnica connosco amanhã mesmo lhe apresentamos o resultado final depois é com a vasta equipa do Município, mas conforme dissemos só daremos por terminada a nossa missão quando tudo estiver a funcionar maravilhosamente.
⁃ Está certo meus caros, então amanhã nos encontramos e veremos o resultado final, bom trabalho, até amanhã – despediu-se do trio o presidente do município.
⁃ Até amanhã – despediu-se o trio e saíram acompanhados em silêncio pelo vereador.
No dia seguinte os três amigos não conseguiram falar com o presidente do município nem com o vereador e não havia uma clara explicação do que estava acontecendo, somente lhes disseram que o Presidente do Município não estava e que logo que possível haviam de ligar para re marcar o encontro.
De repente lhes parecia que uma outra barreira enorme, muito maior que a anterior havia germinado do nada lhes impendido de novo de avançar com o projecto.
Aguardaram a chamada e o dia se acabou sem nenhuma chamada. Decidiram que no dia seguinte iam tentar de novo, infelizmente a barreira continuava la cada vez maior e continuava nada feito, o projeto estava simplesmente parado.
Até que começaram a circular os rumores de que o Presidente do Município se encontrava gravemente doente, 2 dias depois os rumores se confirmaram e a vida do presidente estava nas mãos dos seus familiares que voaram rumo a clínica mais sofisticada para internar e tratar o paciente mais querido por toda a cidade.
4 Dias depois foi anunciada a morte por motivos de doença e a família voo de volta a casa com um corpo e lágrimas que foram choradas por quase todos os cantos da cidade.
A cidade parou, o presidente da república veio e participou do funeral, toda gente ficou desnorteada.
Depois do último adeus, cada um escolheu um canto para enxugar as suas lágrimas num luto que parecia interminável e impossível era tudo irreal.
Era o momento certo para tirar do nosso herói a coisa mais preciosa que ele tinha, aquela mulher esbelta, que por causa do nosso herói abdicou do mundo dos holofotes, foi conforme planearam, abordaram-na e ela aceitou a proposta de se mandar para o último continente e por la ser a estrela que ela sempre quiz ser… sem nem se quer contar ou consultar ao nosso herói, ela aceitou.
Depois foi a vez do amigo, o hacker, ofereceram nas Américas uma vida com todas as regalias que o governo pode dar aos seus melhores espiões na diáspora. Aceitou a vaga num piscar de olhos.
Por fim como era de esperar abordaram o nosso herói, lhe ofereceram um cargo diplomático na Europa, mas era evidente que a resposta era não, mas mesmo assim eles se deram a maçada de tentar, mesmo sabendo que o nosso herói era herdeiro de uma grande fortuna conquistada “honestamente” com as terras e imóveis por toda província com o nome do seu avô. O nosso herói simplesmente recusou a proposta e alegou que os assuntos e negócios familiares já lhe ocupavam o tempo todo.
Antes de falar com o amor da vida dela, ela decide ligar ao hacker, se encontram e descobrem que os dois tem as malas arrumadas!!! Será coincidência? Na verdade estavam tão empolgados para dar o fora que não esperariam para saber a resposta… se era ou não coincidência os dois terem acertado em cheio na lotaria.
Sabiam que não podiam dar as costas ao nosso herói sem um adeus, suspeitavam que ele tivesse seus próprios planos, mas só saberiam se o fossem ver antes de partir.
La estavam os três com cara de “com certeza essa ideia de tentarmos ser adultos deu torto para o caramba!!!”
Simplesmente nada fazia sentido… e ela quebrou o silêncio.
⁃ Amor… – sussurrou ela
⁃ Oi… – respondeu o nosso herói.
⁃ Tenho uma oportunidade incrível para consolidar a minha carreira… estou de malas arrumadas vou para algures naquele último continente Oceania… – disse ela.
O nosso herói reparou para o hacker e esse também falou:
⁃ Eu também… estou com as malas arrumadas, vou para as Américas.
O nosso herói inalou todo ar que os seus pulmões e coração podiam conter, dava para ver o peito bem cheio e simplesmente expirou tudo de uma vez para logo em seguida dizer:
⁃ Ok.
Os dois não esperavam uma resposta tão simples e curta e saíram daquele lugar como se estivessem a abandonar uma cena de crime para qual jamais voltariam.
-x-
O jacto aterrou, apesar de Oceania acomodar aquela vilã que deixou um buraco ou um vazio no peito ou no coração do nosso herói, ali estava o nosso herói prestes a re encontrar a mulher da sua vida sem fazer a mínima ideia do que isso podia fazer a sua alma mas convicto de que precisava falar tanto com ela como com o hacker, mesmo depois de muito tempo ter passado sem nem se quer um oi.
O nosso herói se instalou, verificou se tudo que tinha pedido tinha sido aprovisionado reparou para o relógio e era hora de ir ao encontro dela. Na verdade ele queria ver se ela era feliz, se ela estava satisfeita por realizar o sonho dela… e la estava ela a meio da sua atuação para um público restrito num local discreto.
Quando ela viu o nosso herói, la no fundo no balcão, não conseguiu esconder o desconforto e o turbilhão de emoções dentro dela naquele momento. Ela se esforçou para terminar a apresentação e em meio os aplausos e elogios habituais diferente do habitual não perdeu tempo mimando aqueles velhos carecas foi direitinho ao bar e mal se sentou o hacker se meteu entre os dois, abraçou os seus dois amigos e perguntou:
⁃ Então, o quê vamos beber em nome dos velhos tempos?
Puseram o papo, mais ao menos em dia, deu para perceberem que o nosso herói precisava deles e não iam lhe deixar na contra mão.
Foi quando o hacker perguntou. – O que é que tens para nos contar – que o nosso herói disse:
⁃ Aqui não, vamos preparei uma sala.
⁃ Aqui na Oceania? – Perguntou ela
⁃ Sim. – Respondeu o nosso herói
⁃ Mas porque?! Tencionas ficar aqui muito tempo? – Perguntou o hacker.
⁃ O tempo que for necessário para executar o plano. – Respondeu o nosso herói.
⁃ Que plano? – Perguntaram o dois.
⁃ Vamos embora daqui. – Respondeu o nosso herói.
Deram os últimos goles devolveram os copos ao balcão e se mandaram daquele lugar que estava estranhando a presença deles.
Entraram numa sala enorme repleta de computadores, servidores, ecrãs e monitores gigantes, caixas com milhares de evidências, listas e gráficos infindáveis colados nas paredes e o nosso herói disse:
⁃ É aqui, é aqui que vamos conversar e essa vai ser a nossa sala de operações.
Os dois foram bisbilhotando até que ela quebrou o silêncio:
⁃ O que são essas listas? Vejo aqui alguns nomes que conheço. – Perguntou ela.
⁃ Assim fico sem saber por onde começar. – Respondeu o nosso herói.
⁃ Começa com as listas também vejo aqui muitos nomes que conheço, só não vou perguntar porquê esse equipamento todo, da para entender que o assunto é sério e vamos precisar de um exército pelos vistos. – Disse o hacker admirando as máquinas e computadores top de gama para as complexas tarefas com funcionalidades fora do comum, tudo em torno do mundo quântico e da criptografia.
⁃ Mas tudo bem vou começar do início. – Disse o nosso herói.
⁃ Ok. – Consentiram os dois.
⁃ Quando a poeira baixou, baixei as gravações. – Disse o nosso herói.
⁃ Aquelas daqueles telefones todos que grampeamos, eu já tinha me esquecido que fizemos isso aí. – Disse o hacker.
⁃ Sim. – Respondeu o nosso herói.
⁃ Ok, manda vir. – Disse ela.
⁃ Naquele computador estão as partes da gravação que nos interessam. – Disse o nosso herói.
⁃ Ok. – Disse o hacker.
⁃ O quê descobriste… meu amor. – Perguntou ela gentilmente.
⁃ Bom, lembram-se que desconfiávamos que havia algo acontecendo entre o Conselho Municipal e a companhia de água? – Perguntou o nosso herói, dando uma pausa para os colegas voltarem no tempo.
⁃ Sim. – Responderam os dois.
⁃ Estávamos certos, só não fazíamos a mínima ideia da dimensão da coisa… – disse o nosso herói.
⁃ Como assim? – Perguntou ela.
⁃ Eles estavam a tentar tirar do nosso município, aliás do povo inocente 20 milhões $ num abrir e fechar dos olhos. – Disse o nosso herói.
⁃ Como assim. – Perguntou o hacker.
⁃ Mas antes disso, lembram-se do vereador que devia dar seguimento ao nosso projecto? – Perguntou o nosso herói.
⁃ Sim. – Respondeu o hacker.
⁃ Como não lembrar. – Disse ela.
⁃ Depois de termos nos despedido do presidente do município o vereador foi ter com o presidente e disse ao presidente que não devia aprovar o nosso projecto. – Disse o nosso herói.
⁃ E porque não? – Perguntou o hacker e ela olhava curiosa para o nosso herói esperando impaciente pela resposta.
⁃ O vereador alegou que se o presidente aprovasse o nosso projecto podia sim ser bom para a imagem do presidente e do município bem como podia ser muito bom para garantir a sua reeleição como presidente do município mas não era aconselhável porque com uma plataforma como a nossa eles não teriam como fazer manobras e aplicar os fundos em questões que se julgassem mais pertinentes. – Disse o nosso herói.
⁃ Mas de que questões mais pertinentes se referia o vereador? – Perguntou o hacker.
⁃ Só eles mesmos para responder a essa sua pergunta meu caro amigo. – Disse o nosso herói.
⁃ Ok. Consentiu o hacker.
⁃ Mas o presidente do município aceitou? Ficou do lado do vereador e vetou o nosso projeto? – Perguntou ela toda inquieta.
⁃ Claro que não, ele se recusou e ordenou ao vereador para avançar com o nosso projecto. Para além de que o presidente do município apanhou o vereador em flagrante mentiu que já tinha ligado e marcado encontro connosco, mas quando o presidente me ligou eu não sabia de nenhum encontro – Disse o nosso herói.
⁃ Quer dizer que foi por isso que o presidente do município morreu? – Perguntou ela, o hacker ficou tenso esperando pela resposta e a resposta foi:
⁃ Sim, foi mais ao menos isso. Ele tinha um informante estilo espião que lhe alertou mas o nosso presidente do município não acreditou que eles seriam capaz de tamanha barbaridade – Respondeu o nosso herói.
⁃ Aí meu Deus. – Disse ela.
⁃ Não pode ser. – Disse o hacker.
⁃ Como mais ao menos isso? – Perguntou ela.
⁃ O que deu para entender das gravações, é que o nosso presidente depois de instruir o vereador para avançar com o nosso projecto ele ficou sozinho na sala, bebeu um copo de água e começou a se sentir mal. – Disse o nosso herói.
⁃ Aí meu Deus. – Lamentou ela com as duas mãos na boca e o hacker encravou e travou que nem uma estátua pensativo.
⁃ Daí o presidente foi se sentindo cada vez prior e nunca se safou dessa acabando por perder a vida. – Disse o nosso herói.
⁃ Mas isso não faz sentido amor, estás a dizer que mataram o nosso presidente só porque ele tinha aprovado o nosso projecto? – Perguntou ela.
⁃ É isso? – Perguntou o hacker com medo da resposta que parecia evidente.
⁃ Infelizmente é isso sim. – Respondeu o nosso herói.
⁃ Não pode ser. – Disse ela.
⁃ Isso é um absurdo meu amigo, não se tratou de uma simples coincidência? – Perguntou o hacker.
⁃ Não. Não foi uma simples consciência. – Disse o nosso herói.
⁃ Então nos explica meu bem. – Disse ela.
⁃ O problema é que o vereador participava num outro grupo que denominavam “O Colectivo” e la nesse grupo os empresários e algumas figuras da nossa cidade tinham que contribuir com 5 milhões para a campanha presidencial para o terceiro mandato do nosso presidente da república, o candidato do partido no poder. – Disse o nosso herói.
⁃ Já começa a fazer algum sentido. Disse o hacker.
⁃ E? – Gritou ela impaciente
⁃ E era isso o plano deles era não tirarem esse dinheiro do bolso deles, os empresários e as figuras da nossa cidade alegaram que depois dos estragos dos dois ciclones logo em anos seguidos e ainda por cima com a pandemia do COVID, se fosse para contribuir para campanha eleitoral todo mundo devia contribuir e foi assim que concluíram que seria através da companhia das águas. – Disse o nosso herói.
⁃ Como? – Perguntou o hacker.
⁃ Era só acrescentar o valor que era preciso para a contribuição na factura de água. – Disse o nosso herói.
⁃ Então eles acrescentaram os 5 milhões $ ? – Perguntou ela.
⁃ Não, mas sim acrescentaram 20 milhões $. – Disse o nosso herói.
⁃ Não dá para acreditar no que estás a dizer meu amor. – Disse ela.
⁃ As facturas e os recibos de pagamento estão naquelas caixas, podem conferir. Disse o nosso herói. – O hacker fechou os olhos com uma mão na cintura e outra na testa balanceando a cabeça como quem não quer ver o que está dentro daquelas caixas. Ela correu debruçou-se sobre as caixas e começou a gritar confirmando.
⁃ Taxa fixa 90,70$ Consumo mínimo 39,39$ Escalão dois 340,80$ Taxa de saneamento 250,60$ TOTAL SEM IVA 721,49$ aí meu Deus. Enquanto ela se debatia com a factura o nosso herói disse:
⁃ Veja o mês anterior qual foi o valor da factura? E ela apressada folheio as facturas e com espanto exclamou:
⁃ TOTAL DA FACTURA 152,76$
⁃ De cento e tal para mais de 700$ que vergonha, que roubalheira. – Lamentou o hacker e acrescentou: – e o pior de tudo é aquela famosa deixa deles PAGA DEPOIS RECLAMA SENÃO CORTAMOS O FORNECIMENTO DE ÁGUA. – Suspirou forte e continuou abanando a cabeça chocado e em negação total.
⁃ Quantas facturas assim tem nessas caixas amor? – Perguntou ela com tristeza.
⁃ Mais de 80 mil facturas e recibos. – Respondeu o nosso herói. O hacker se concentrou quase fechava os olhos para fazer uns cálculos rápidos e lamentou:
⁃ Quase 60 milhões $ num único mês, mas o quê fazem com todo esse dinheiro esses *ilhos da *uta que os pariu???!!!
⁃ Um pouco mais que isso meu caro amigo a nossa cidade tem mais de 110 mil clientes cadastrados no sistema. – Disse o nosso herói.
⁃ Mais de 110 mil contadores de água é isso? – Perguntou ela.
⁃ Contadores? não sei, esse é outro problema tem muita gente cadastrada no sistema sem contador mas mesmo assim pagam algo todo santo mês. – Disse o nosso herói.
⁃ Mas 110 mil só, para uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes, não é pouco isso? – Perguntou o hacker.
⁃ Não sei meu amigo, só sei que tem bairros inteiros ligados a um único contador, mas isso não importa, o que importa aqui é que quando eram os empresários a quota para a contribuição para a campanha eleitoral eram 5 milhões $ mas quando decidirão que todo mundo ou seja o povo é que ia pagar a contribuição aumentou de 5 para 20 milhões $. – Disse o nosso herói.
⁃ Mas porque esse aumento? – Perguntou o hacker.
⁃ O presidente da república, o candidato quando soube do posicionamento do “colectivo” da nossa cidade, ele pessoalmente foi cobrar explicações. – Disse o nosso herói.
⁃ Mentira. – Admirou-se o hacker.
⁃ Está tudo aí nas tuas gravações. – Disse o nosso herói. Ela continuava sentada imponente sobre aquelas caixas folheando, folheando as facturas e recibos como se estivesse para enlouquecer, as lágrimas começaram a cair e ela não se conteve começou a soluçar e chorar discretamente pois ela sabia muito bem quanto custava para aquelas famílias conseguir somente 100$ para se alimentar muito mais para pagar água.
⁃ Apanhamos o próprio presidente em flagrante? – Perguntou o hacker.
⁃ Sim foi ele que mandou aumentar o valor da contribuição da nossa cidade. – Disse o nosso herói.
⁃ Mas porque ele fez isso? – Perguntou ela ainda sentada, agitada e chorando diante daquelas caixas.
⁃ O colectivo explicou que havia garantia de fundos para um projecto de saneamento orçado em 30 milhões $. Então era uma espécie de adiantamento através da companhia das águas. – Disse o nosso herói.
⁃ Então para o tal projecto só vão aplicar os 10 milhões $? – Perguntou o hacker.
⁃ O próprio presidente sabe que não vão fazer nada por isso preferiu ficar com a maior fatia do bolo. – Disse ela enfurecida.
⁃ Faz sentido. – Disse o hacker
⁃ É isso ai, agora levanta daí e para de chorar. – Disse o nosso herói. Ela se levantou, se afastou daquelas evidências indiscutíveis e tentando limpar as lágrimas perguntou:
⁃ E essas listas e esses gráficos o que é que tem tudo isso haver com malária e diarreia?
⁃ Tem tudo haver meu bem. – Pela primeira vez o nosso herói tentou ser meigo para acalmar a sua amada mas continuo se segurando sem demonstrar nenhuma emoção.
⁃ Eu também não entendi. – Disse o hacker olhando para as listas e os gráficos meio confuso.
⁃ Estás listas aqui, são os 500 mil munícipes da nossa cidade que contraíram malária ou tiveram diarreia, os detalhes estão num file aí no computador. – Disse o nosso herói.
⁃ 500 mil, isso é um quarto dos munícipes!!! – Disse inconformado o hacker.
⁃ E estes 200 mil aqui o quê são? – Perguntou ela.
⁃ Esses meu bem são as mortes. – Disse o nosso herói que foi interrompido com um grito de desespero da sua amada que começou de novo a chorar só que desta vez inconsolavelmente.
⁃ Ai meu Deus, aqui tem pessoas que conhecemos, alguns são nossos familiares, nossos amigos, parem de dizer munícipes e cidadãos é nosso sangue nossos irmãos. – E ela chorava e chorava sem ninguém saber o que dizer ou fazer até que sozinha começou a se acalmar e parou de chorar tentando se recompor limpava as lágrimas procurando uma cadeira para se sentar. Quando ela se acalma e senta, o telefone do hacker toca, todos sabiam que ele tinha toques personalizados para as chamadas da família e aquele toque de certeza era a irmã dele, ele atendeu se afastou um pouco falou um pouco, ficou tenso, desligou o telefone e num grito de raiva atirou o telefone contra a parede que se esmagou num instante e os pedacinhos voaram por todo lado. O nosso herói e ela se entre olharam e ficou claro que nenhum dos dois fazia a mínima ideia do que podia estar a acontecer pelo que ficaram boquiabertos reparando o hacker e esperando que ele dissesse o que o havia deixado tão furioso.
⁃ A minha irmã ligou para me dizer que vão internar o meu pai. Disse o hacker
⁃ O que tem ele. – Perguntou ela.
⁃ Malária. – Respondeu o hacker.
⁃ E qual é o problema? – Perguntou o nosso herói.
⁃ Deixei de lhes ajudar com as despesas de água porque as facturas vinham sempre com valores absurdos e diferentes, agora eles usam água de um poço aí na vizinhança, se ele tiver alta de certeza vai ter uma recaída por causa da água e duvido que desta vez ele se safe, da última vez a diarreia quase o matou. – Desabafou o hacker.
⁃ Tenta se acalmar amigo, vai correr tudo bem. – Disse ela.
⁃ Então matam os nossos familiares, matam o nosso presidente do município roubam o nosso dinheiro para falcatruas deles e continuam la impunes? – Perguntou o hacker irritado.
⁃ Vamos matar todos eles. – Disse ela.
⁃ Nada disso. – Disse o nosso herói.
⁃ Como assim nada disso, é para levarmos esses bandidos ao tribunal esses não precisam ser julgados, não tem cadeia pra eles, vamos acabar com eles e prontos. – Disse ela.
⁃ Confesso que me sentiria melhor se me dissessem que vamos acabar com todos esses parasitas. – Disse o hacker.
⁃ Todos eles vão ter o que merecem, mas agora eles são muito mais fortes e estão muito bem organizados. – Disse o nosso herói.
⁃ Tens razão meu amor, mas eu pensava que o nosso presidente do município também estava muito bem preparado para essas coisas, quantos atentados ele conseguiu escapar, eu não entendo porque tinham que acabar com a vida dele, tudo isso por causa do nosso projeto? – Perguntou ela.
⁃ Não mataram ele somente por causa do nosso projecto, é mesmo por causa do dinheiro, se o nosso projecto fosse aprovado, eles não teriam mais dinheiro vivo para financiar as falcatruas deles. Esta tudo gravado o vereador quando se apercebeu que o presidente do município não ia recuar reuniu o “colectivo” puseram o presidente da república a par de tudo e concluíram que o nosso presidente de município tinha que ser afastado. Eles estão a defender o sistema que lhes dá dinheiro vivo para fazer o que bem entendem. O medo do vereador era que depois que nosso projecto fosse um sucesso com os manifestos para as viaturas de certeza o povo ia querer que assim fosse em todos os outros sectores. – Disse o nosso herói.
⁃ O que é que temos gravado sobre isso? Perguntou o hacker um pouco mais calmo tentando disfarçar as lágrimas que sentia lhe escorrendo no rosto. – Mais alguma coisa que incrimine directamente o presidente da república? – Perguntou o hacker
⁃ Temos sim, mas por questões de segurança vou partilhar convosco no memento certo. – Disse o nosso herói.
⁃ Qual? Que momento certo, não confias em nós? – gritou ela.
⁃ Mas é claro que confio, é para o vosso próprio bem, sobre o presidente vão saber na hora certa. Por agora tem aí um trecho de conversa entre o vereador e o presidente do nosso município, o vereador tentou de todas formas convencer o nosso presidente do município alegando que com um sistema tão transparente em que não se pode apagar nada e tudo é do domínio público o nosso projecto devia ser reprovado, mas não se trata do nosso projecto trata-se do sistema que eles querem manter a todo custo. Eles tem pavor da inovação. Tudo que for para acabar com o dinheiro vivo eles vão sempre estar contra – Disse o nosso herói.
⁃ Então o que vamos fazer, qual é plano afinal? – Perguntou ela.
⁃ O nosso amigo quer derrubar o sistema. Por isso estamos aqui, por isso essas máquinas todas, por isso ele precisa de nós, mas pelos vistos vamos precisar é do mundo todo do nosso lado. – Disse o hacker.
⁃ É isso meu amor? – Perguntou ela.
⁃ É isso sim e vamos mesmo precisar de todo mundo do nosso lado. – Respondeu o nosso herói. – O hacker cerrou os punhos e pressionou-os sobre o rosto como se quisesse se esmurrar e disse:
⁃ Então vamos a isso pessoal. – E ela respondeu:
⁃ Sim, vamos a isso eu to dentro. Pelo nosso amado presidente do município pelos nossos familiares nossos amigos, vamos a isso. Qual é o plano? – Disse ela.
⁃ Nós não vamos atacar o sistema da nossa pequena cidade nem tentar derrubar o nosso governo. – Disse o nosso herói.
⁃ O que vamos fazer então? – Perguntou o hacker.
⁃ Vamos acabar com as guerras no mundo. – Disse o nosso herói.
⁃ Isso é impossível meu amor. – Disse ela.
⁃ Espera vamos ouvir o que ele tem a dizer. – Disse o hacker cada vez mais calmo.
⁃ Ok. – Respondeu ela apreensiva reparando ao hacker e virou-se nervosa para o nosso herói e perguntou serena e calma:
⁃ Qual é o plano meu amor.
⁃ O mundo está em guerra todo mundo sabe. Um dos maiores exércitos do mundo invade um país tão pequeno e para quê, senão para saquear os cereais o trigo destruir as indústrias, acham mesmo que as matérias primas foram deixadas para trás, eles simplesmente levaram tudo saquearam um povo que fala a sua própria língua isso porque aquele presidente comediante queria mais e melhor para si e para o seu povo mas o ex espião da KGB agora presidente não gostou disso preferiu lhes tirar tudo e o mundo não entende que é uma simples invasão para saquear os excedentes e as matérias primas. Facto é as armas não se comem, uma nação com os celeiros bem cheios “comida a fartura” ou seja de barriga cheia e com um exército de admirar dificilmente invade uma outra nação, é a fome sempre foi por comida foi a sobrevivência que serviu de argumento para decidir invadir um país amigo, quase filho e tirar a vida de milhares. Só pode ser exatamente isso, uma das maiores potências mundiais não tinha cereais e nem matéria prima para manter o seu monstruoso exército, solução?: INVADIR UM PAÍS PEQUENO QUALQUER. Lutamos para comer para vestir e andar em bons carros, estamos a nos confundir e a matança é tanta porque pensamos tão pequeno quanto o tamanho do nosso planeta quando comparado ao universo. Enquanto isso os outros abutres conseguem rios e rios de dinheiro para apoiar uma guerra do outro lado do continente quando no seu próprio país ainda há gente morrendo de fome, milhares de sem abrigo tudo isso tem há ver com a sobrevivência é a boca é o estômago a barriga a sobrevivência e nada mais que isso não importa se nas Américas, na África na Europa na Ásia na Oceania ou em qualquer outra parte deste universo. Lutamos para sobreviver para comer lutamos para viver. É tudo por causa das roupas de marca os carros de luxo é isso e mais nada. – terminou o nosso herói ofegante e empolgado.
⁃ Juro que não estou a entender muito bem esse plano. – Disse ela
⁃ Eu também me perdi um pouco com esse discurso meio longo. – Confessou o hacker com um sorriso estampada no rosto.
⁃ Estamos a falar de importações e exportações. – Disse o nosso herói.
⁃ O quê é que importações e exportações tem há ver com o plano? – Perguntou o hacker.
⁃ Se uma nação produz somente para se alimentar, dificilmente será atacada. – Disse o nosso herói.
⁃ Mas mesmo sem produzir nada, aliás mesmo sem ter excedentes, se um país tiver petróleo escondido no mar, mariscos apetitosos e corais maravilhosos de dar inveja o risco de ser invadido é eminente, não é? – Perguntou o hacker.
⁃ Ok estou a entrar nessa onda, é estilo a nossa terra e as riquezas no subsolo, as nossas florestas os animais de grande e pequeno porte tudo isso pode ser motivo para uma guerra é isso? – Perguntou ela.
⁃ Sim, é isso meus caros, quantas vezes ouvimos que havia conflitos com os nossos países vizinhos por causa de rios e lagos? Tem tudo há ver com riqueza, sobrevivência. – Disse o nosso herói.
⁃ Estou quase lá mas ainda não entendi nada. – Disse ela.
⁃ Eu também ainda não faço a mínima ideia de qual vai ser o nosso plano, no caso do nosso país não precisa ser invadido com um exército pois por exemplo os asiáticos e todos os outros vem com suas empresas de fachada usam os nossos próprios irmãos desde os generais, as autoridades tradicionais ao camponês mais simples e tiram a madeira para não dizer a árvores ou qualquer outra coisa ou recurso que queiram e se vão embora sem nenhum stress, aliás sem nenhuma invasão. – Disse o hacker.
⁃ Exactamente isso. Nós e os que se juntarem a nós vamos obrigar os governos a trabalhar de verdade. Disse o nosso herói.
⁃ Interessante. – disse ela.
⁃ Gostei. – disse o hacker.
⁃ Imaginem um mundo em que com um simples código de barras faz-se a leitura em qualquer mercadoria ou produto e se não estiver associado a um contrato inteligente na blockchain “criada por nós” é considerado contrabando ou pirataria o mesmo para os produtos nacionais. “Nós” vamos criar um ALGORITMO que vai ser a base para todas as importações e exportações em todo mundo. – Disse o nosso herói.
⁃ Isso me parece ambicioso demais. – Disse ela.
⁃ Mas ele tem razão, temos que pensar grande, procurar soluções definitivas. – Disse o hacker
⁃ Mesmo que leve uma eternidade, vamos fazer o que estiver ao nosso alcance. – Disse o nosso herói.
⁃ Nunca pensei me juntar a uma causa que considero perdida porque simplesmente provavelmente não viveria para ver o resultado final, mas para esta causa estou dentro. Sem contrato sem promessas sem expectativas darei o meu melhor. – Disse ela
⁃ Quem é que pode, quem é que conseguiria, quem é que estaria interessado em obrigar todas as nações do mundo inteiro a produzirem somente o necessário? – Perguntou o nosso herói.
⁃ Eu não sei. – Disse ela.
⁃ Eu também não. – Disse o hacker puxando os lábios para trás e balançando os ombros para cima e para baixo.
⁃ Não importa, facto é que esse alguém teria que ser uma entidade tão poderosa capaz de controlar todas as importações e exportações. – Disse o nosso herói.
⁃ Mas com qual objectivo uma entidade poderosa ia querer controlar as importações e exportações de todo mundo. – Perguntou o hacker.
⁃ O objectivo de sempre A PAZ NO MUNDO. – Disse o nosso herói.
⁃ Me perdi um pouco aí. – Disse ela.
⁃ A questão é, com que argumento as nações do mundo inteiro seriam convencidas a colaborar senão o argumento da paz mundial. – Disse o nosso herói
⁃ Colaborarem para fazer o quê? – Perguntou ela
⁃ Para por exemplo produzirem somente o que precisam. – Disse o nosso herói
⁃ Mas então estamos a falar de um mundo em que não haveria importações e exportações? – Perguntou o hacker
⁃ Claro que não. Respondeu o nosso herói – estamos a falar de fazer os governantes trabalharem de verdade.
⁃ Desembucha logo para ver se a gente entende isso. – disse ela.
⁃ Primeiro é assegurar que essa informação existe e é de domínio público. – disse o nosso herói.
⁃ Que informação? – Questionou ela.
⁃ Informações sobre as necessidades internas que podem ser supridas internamente. – Disse o nosso herói.
⁃ O estado tem de ser capaz de demostrar com A + B que é capaz de suprir internamente às necessidades básicas do seu povo. – Disse o hacker irritado.
⁃ Isso com a ajuda de todos, sector privado, associações, empresas estatais e tal é isso nem? – contribuiu ela insegura. Os dois amigos se entre olharam surpresos deram uma risada e responderam sorridentes para ela em simultâneo:
⁃ É isso mesmo!!!
⁃ Ok mas por favor voltemos as importações e exportações, pode ser. – perguntou o hacker com os braços abertos e as palmas estendidas para cima.
⁃ É aí que nós entramos com o ALGORITMO. – disse o nosso herói.
⁃ Então vamos criar um aplicativo para ser usado por todas as nações? – questionou o hacker.
⁃ É isso aí meu amigo e eu sei que és capaz de fazer isso acontecer. – respondeu o nosso herói.
⁃ Já começo a entender e gostar desse plano mas e eu o quê e vou fazer? – perguntou ela.
⁃ Você meu bem vai trabalhar com os activistas e voluntários que vão pressionar as nações para usarem o nosso ALGORITMO. – respondeu o nosso herói.
⁃ Ok. – respondeu ela satisfeita.
⁃ Com o nosso ALGORITMO cada nação vai poder expor ao mundo contratos inteligentes com tudo que tiver para exportar. – disse o nosso herói.
⁃ E lógico nesses contratos inteligentes estarão todos os termos e condições para efectuar as trocas entre as nações é isso nem? – perguntou o hacker.
⁃ Mas é claro que é isso meu amigo, todas coisas básicas, escolas, parques para crianças, para adultos, para idosos, roupas, habitações, meios de transporte e de comunicação tudo que diz respeito a cada uma das nações será incorporado no ALGORITMO não vamos esquecer nenhum tipo de imposto nem taxas cobradas por cada um dos estados, os manifestos, água, energia o nosso projecto nos trouxe até aqui meus amigos, não vamos esquecer donde viemos e o quê queríamos desde do início. – respondeu o nosso herói.
⁃ Espera aí e o comércio, os comerciantes terão de deixar de existir? – perguntou o hacker.
⁃ Mas é claro que não. – respondeu o nosso herói.
⁃ Então continua com a tua explicação. – disse o hacker.
⁃ Ok. Vamos lá recapitular. Estamos a dizer que primeiro precisamos que todas as nações colaborem para partilharem informações sobre a sua capacidade interna, em seguida o ALGORITMO faz uma simulação do que cada nação realmente precisa, mas os próprios mandatários da nação, vão decidir o que querem, tudo publicamente, até aqui estamos juntos?
⁃ Sim, sim… – disse o hacker.
⁃ Continua. – disse ela.
⁃ Em segundo lugar, depois de estar clara a capacidade de atender as necessidades internas cada nação vai expor os produtos que pode exportar, as condições os preços etc. – disse o nosso herói.
⁃ O ALGORITMO vai buscar as melhores ofertas para as exportações expostas e os povos ou os seus mandatários escolhem. – disse o hacker.
⁃ E os contratos são ativados no blockchain logo que os requisitos e termos e condições forem cumpridos, podem ser votos, disponibilidade de fundos e o contrato é dado como executado quando a outra parte confirmar que o serviço ou produto foi fornecido nas condições exigidas. – disse ela com ar de sabichona abanando a cabeça para baixo e para cima continuamente por um instante.
⁃ É isso mesmo, não é lindo? – perguntou o nosso herói.
⁃ É lindo demais, disse o hacker, não sei porque não pensamos nisso antes, foi preciso nos separarmos, mas esse é de certeza um projeto que vai nos juntar para o resto das nossas vidas, juro que nunca mais vou me separar de vocês meus amigos. – disse o hacker.
⁃ Eu também não quero nunca mais ter que me separar de vocês meus amigos. – disse ela.
⁃ Os inimigos estão de olho em nós, eu já pensei em tudo, em algum momento vamos ter que fingir que aceitamos as futuras propostas deles e vamos nos separar sim enquanto os Voluntario e os activistas fazem o resto do trabalho. – disse o nosso herói.
⁃ Que assim seja e que tudo dê certo, desta vez, creio estamos bem preparados para o que der e vier. – disse o hacker.
⁃ Ok, uma pergunta só, tudo que vamos fazer vai ser no blockchain certo? – perguntou ela.
⁃ Lógico. – respondeu o hacker.
⁃ Sim. – respondeu o nosso herói.
⁃ Ninguém poderá apagar, alterar, viciar ou coisa parecida certo?
⁃ Certo. – respondeu o hacker.
⁃ E qualquer um poderá aceder a toda essa informação? – perguntou ela.
⁃ Claro que qualquer um não nem, cada informação terá o seu nível de segurança, tem informação que é simplesmente disponível para todo mundo, mas certas informações só podem ser acedidas por certas pessoas credenciadas e confiadas pelas respetivas nações. – respondeu o hacker.
⁃ E se jornalistas ou coisa parecida um cidadão qualquer precisar de alguma informação nesses níveis de segurança que só alguns podem aceder como fica? – perguntou ela.
⁃ Basta fazerem um pedido formal. – respondeu o nosso herói.
⁃ E lógico dependendo do argumento no pedido será aprovado ou negado. – acrescentou o hacker.
⁃ Ok. Já percebi. – Disse ela
⁃ Continuando, estamos a falar de um ALGORITMO capaz de calcular em tempo recorde o quê cada país precisa de concreto, que faz uma busca dos contratos inteligentes e se todos os padrões e requisitos são observados o contrato é acionado automaticamente e claro questões como seguros e sanções para os que violam os termos estará tudo la patente e Deus queira funcionando meus amigos. – concluiu o nosso herói.
⁃ Mas se não conseguimos fazer isso na nossa pacata cidadedizinha como é que esperamos conseguir fazer isso para o mundo inteiro? – Questionou ela.
⁃ Bom, não são todos os países que vão resistir, somente os corruptos vão tentar negar. Mas temos tudo para atacar com tudo, a morte do nosso presidente do município não pode ter sido em vão. Vamos trabalhar com activistas e voluntários por todo mundo. Todos os países com mosquitos nas suas cidades, munícipes padecendo de malária, por causa de problemas com projectos de saneamento ou lixo, vamos derrubar em fração de segundos. O único trabalho que os governos e os povos de cada nação devem fazer é alimentar o ALGORITMO para poder tomar as decisões e activar os contratos. Disse o nosso herói.
⁃ E os países que estiverem a ter dificuldades em providenciar as informações nós vamos dar uma mãozinha, uma ajudinha não faz mal a ninguém. – disse o hacker sorrindo.
⁃ E achas que isso vai acabar com as guerras no mundo e trazer a paz mundial? – Perguntou ela fitando o nosso líder.
⁃ Talvez sim, talvez não, mas os países que usarem o ALGORITMO jamais vão poder fazer o que fizeram com a nossa pequena cidade. – respondeu o nosso herói.
⁃ Eu acho que já entendi tudo, to dentro. – Disse ela.
⁃ Zembora criar esse ALGORITMO. – disse o hacker.
⁃ Ok cada um já sabe o que tem por fazer.
-x-
O trio se pôs a trabalhar.
Ela, foi recrutando voluntários por todo mundo, sempre discreta e melhor ainda é que ela podia aturar cantar e encantar o mundo com a sua voz e o seu esbelto corpo.
O hacker, pediu mais 1000 hackers para lhe ajudarem na programação do ALGORITMO a informação entre os hacker foi se espalhando e milhares e milhares de hackers estavam interessados em fazer parte desta magnífica aventura para acabar com as guerras no mundo. O hacker deu instruções específicas ao nosso herói sobre onde e como deviam ser instalados os data centers por todo mundo. O programa final ia funcionar exactamente como o BTC não estaria hospedado em nenhum servidor central mas espalhado em todos os computadores e celulares espalhados pelo mundo. Ou seja o programa dos governos de todas as nações estará nas mãos de todos os povos.
6 meses depois:
O ALGORITMO é lançado para ser testado por 10 países e os resultados são muito bons que logo em seguida mais de 100 países manifestaram o interesse e se preparam para aderir.
1 ano depois:
Vazam provas de que o presidente da república está directamente envolvido no desvio de 20 milhões e provas contundentes incriminam o presidente que se preparava para o terceiro mandato na morte do presidente do município – então este era o momento certo – disse o hacker, ela sorriu e o nosso herói respondeu – sim. Entre os milhares de documentos vazados nas provas constavam gravações em áudio dos encontros do “colectivo” e exames da clínica demostrado que o presidente do município havia sido envenenado ou seja assassinado, eles usaram um químico que era considerado indetetavel mas a ciência avançou e foi possível detetar. O presidente da república foi destituído e o novo governo aprova o novo modelo de eleições totalmente digital feito no blockchain e o voto continua sendo secreto.
5 anos depois:
O mosquito foi dado como um insecto extinto – zero casos de malária em todo mundo.
10 anos depois:
Esperança mínima de vida na terra são 100 anos mesmo nos países menos industrializados e menos avançados tecnologicamente.
15 anos depois:
A humanidade tem colónias com homens mulheres crianças e idosos na Lua e Marte. Finalmente somos uma espécie interplanetária e Bitcoin (BTC) é adoptada como moeda de reserva por todas as nações.
20 anos depois:
O BUI (Basic Universal income) Rendimento Básico Universal é aprovado e adoptado por todas as nações. A partir do momento que uma criança nasce tem direito e recebe mensalmente 1.000 dogecoins que valem cada um 5,5$.
25 anos depois:
Detentores da moeda digital SHIB INU estão entre os mais ricos do mundo e juntam-se aos membros da HyperVerse se entitulando auto made millionaires. Anunciam a descoberta de um novo planeta similar ao planeta terra e financiam missões espaciais para quem quiser se mudar para o novo planeta em que SHIB INU é a moeda corrente e cada unidade custa 100$ a adesão é totalmente grátis através da HyperNation.
FIM.
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NB: tudo que se parecer com a realidade é pura ficção.

































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