No mais baixo escalão, está o pobre sempre preocupado com a próxima refeição, normalmente é uma refeição e uma chávena de água quente para aquecer o estômago, isso por dia, mas tem dias que falha a refeição e tem dias que falha o chá, bem como tem dias que falha ambos e só se consegue um copo de água no estado líquido em temperatura ambiente para matar a sede a fome e também aquecer o estômago!
Os bens que caraterizam, o pobre nesse escalão, são: chinelos, sandálias, botas, enxadas, catanas, machados uma bicicletas, radio e na melhor das hipóteses uma motocicleta. É normal ter mais de uma mulher e todas são submissas ao pobre homem que pode gerar e ser pai de mais de 50!!!
Na classe intermediária está o não tão pobre nem tão rico, que já se preocupa com o tipo da qualidade da próxima refeição e cumpre a risca a regra das três refeições por dia. Em tempos difíceis talvez só consiga o mata-bicho e o jantar mas quando a crise aperta nunca se sabe talvez possa chegar a situação do escalão mais baixo e substituir todas as refeições com um simples copo de água que pode ser fresca ou mesmo gelada.
Os bens que o caraterizam são, sapatos, fatos de segunda mão, relógios comuns, computadores, celulares, gileiras, congeladores, televisores, descodificadores de televisão digital e suas respectivas antenas parabólicas, viaturas usadas, casa alugada ou em construção e por terminar indefinitivamente um tanque reservatório de água, umas plantas nos vasos chegando as vezes a ter mesmo um pequenino jardim e na melhor das hipóteses um carro ou moto desportivos, para o lazer, uma lancha um reboque para o campismo, uma cana de pesca e uma pequena conta bancária com alguns cartões de débito. Normalmente tende a assumir uma única mulher como esposa, a dona de casa, mas continua se esfregando aqui e ali discretamente apesar de que as paredes tenham ouvidos e olhos continuam achando que ninguém saberá do caso até que seja tarde demais portanto as separações são algo bem comum nessa classe, mas quando estão juntos é lindo de se ver, um amor digno de um clássico do cinema cheio de romance que mesmo para uma telenovela serve.
No topo, está o abastado, que não se preocupa com o custo da próxima refeição. Em momentos de turbulência acaba baixando a guarda e aceita ser tratado como alguém da classe intermediária ou até mesmo do escalão mais baixo, dependendo da intensidade da turbulência.
Os bens que o caracterizam são: carros zero quilómetros, roupas importadas, marcas de renome, fatos clássicos, investimentos imobiliários, ações em diferentes iniciativas públicas e privadas, bolsas de valor, seguros contra todos os riscos, seguro de saúde, serviços personalizados, espaços e bens exclusivos ou particulares, livros de cheques, lingotes de ouro, pedras preciosas em fim luxo e glamour. As suas relações amorosas se confundem bastante com transações, muitas vezes os interesses e troca de serviços para manter os nomes e as fortunas sobrepõem-se ao amor ao romance a família e por aí em diante, os filhos muitas vezes se resumem numa única palavra: o herdeiro.
Tanto eles, a começar com os no escalão mais baixo, como os na classe intermediária inclusive os no topo, todos eles tem algo em comum, dedicam-se mais, empenham-se com mais afinco nas questões a curto prazo. Feliz ou infelizmente os resultados tendem a ser diferentes para todos.
Cada um deles sabe a sua maneira como garantir a sua próxima refeição e não deixam de apreciar, de admirar e até de invejar como cada um se safa. Os resultados de um são sempre apetecíveis aos olhos dos outros.
O no escalão mais baixo aprecia e admira os dois acima e vai lutando para um dia ter o que mais cobiça na classe intermediária e no top.
O da classe intermediária ora quer a paz e a vida sem stress no escalão mais baixo e ora quer os privilégios do top, nunca se sabe se vai se manter no intermediário ou se vai cair fundo até ao escalão mais baixo ou se vai voar alto até o topo.
O no topo vê tanta coisa nos dois abaixo, coisas que ele dificilmente consegue ter, coisas que fica imaginando se tais coisas fossem suas o que ele seria capaz de fazer com elas. A título de exemplo, ele imagina o que ele podia dar aos tantos filhos no escalão mais baixo, mas porque os tantos filhos não foram gerados por ele, simplesmente não consegue dar uma mauzinha e ajudar fica só imaginando a boa vida que podia proporcionar se os filhos fossem dele e opta mesmo por deixar a fortuna apanhando poeira ao em vez de ajudar aqueles que precisam. Com o da classe intermediária ele se derrete com as mulheres a cumplicidade o amor o jeito das mulheres, a força delas e a devoção aos homens na classe intermediária, ele vê aí um tipo de relação que para ele parece impossível lhe parece um romance tão lindo, um amor tão intenso tudo que ele não pode ter… até inveja a relação no mais baixo nível também, inveja a maneira como a mulher ou as mulheres são submissas aos seus pobres homens.
Mas mesmo assim tem sempre alguém em cada um dos níveis acreditando que todos homens merecem o mesmo, não deviam uns merecer mais e outros merecerem menos. Esses homens acreditam e lutam pela igualdade.
A questão é: para qual igualdade devem todos os homens, todas as mulheres e todas as crianças serem arrastados?
Devem todos ser arrastados para a igualdade se confinando no escalão mais baixo? Ou todos jogados na classe intermediária? Seria possível ter todo mundo la no Topo?
Como se faz isso?
Será possível?
Aliás faz sentido?
Afinal de que igualdade estamos a falar?
De que igualdade temos estado a falar?
Digamos que arrastamos todo mundo para o escalão mais baixo, onde vamos encontrar um agregado com um só homem mas com mais de 50 dependentes e mais de uma mulher, bem como vamos encontrar um outro agregado com um só homem sem nenhuma mulher e sem um filho se quer.
Vamos supor que estamos por decidir a questão de igualdade nas refeições a serem distribuídas para cada um desses agregados, será que funciona definir e entregar a mesma quantidade de comida para os dois homens, sendo que um dos homens vive sozinho o outro homem com várias mulheres, dezenas de crianças e alguns idosos?
Mas é claro que mesma quantidade não vai funcionar. No caso dos dois homens acima, falar de igualdade não é garantir a mesma quantidade para os dois agregados, idem para todos os homens, jamais a igualdade vai significar a mesma porção para todos os homens.
Falar de igualdade nesse caso começaria exatamente por assumir que as porções de comida a serem garantidas para os agregados dos dois homens devem logicamente ser diferentes.
Mesmo que se diga, vamos nos preocupar somente com os dois homens, os chefes dos agregados, os apetites e as doses teriam que mesmo assim ser diferentes, afinal de contas como é que definiríamos a dose ideal? Como contornaríamos os apetites as alergias e vai saber o que mais? Cada estômago é um caso.
Voltando para os dois homens, quer dizer os dois agregados, um sem família e o outro com uma família enorme, logicamente para assegurar a igualdade os dois homens devem receber porções totalmente diferentes de alimentos.
Lembrar que cada membro de uma família tem direito a uma certa dose, teríamos doses para recém nascidos, para crianças, para os adolescentes, os jovens, os adultos, os idosos, doses para mulheres e doses para homens.
Que confusão? Que trapalhada? Que trabalhão? Que papelão, tudo isso em nome da igualdade?
Estamos preparados, é isso que realmente queremos?
Falar de igualdade é simples, é bonito, é até revolucionário!!!
Mas a solução para um dilema tão complexo que nem a igualdade para todos, não será achada pensando e agindo com base em ideias de curto prazo. A solução para tamanho dilema parece se esconder nos ideias a longo prazo.
Quantos anos seriam necessários para nos tornarmos numa sociedade com ferramentas e instrumentos que defendem promovem e garantem a igualdade para todos os seus concidadãos?
Quando falamos de igualdade estamos a falar de um sistema igualitário?
Quando exigimos igualdade, temos noção do que realmente estamos a exigir, temos noção do que queremos ou simplesmente nos soa bem LUTAR PELA IGUALDADE?
Para falar da igualdade, para lutar pela igualdade é preciso saber das diferenças que queremos igualar! Não é da igualdade que devíamos estar falando, devíamos estar falando é das diferenças.
Mesmo que aumentemos o salário, digamos que sim o salário mínimo é igual para todos!!!
É assim como são as coisas agora. Podemos ter diferentes salários mínimos nos diferentes sectores, mas em cada sector o salário mínimo é igual para todos!
Será certo isso? Faz sentido isso??? Mas é claro que não!!! O salário mínimo seria totalmente variável num sistema totalmente igualitário. Pois um homem sem família não devia ser atribuído o mesmo salário mínimo de um outro homem com uma família extremamente alargada.
Não faz sentido por exemplo dizer que o salário mínimo são 20 mil meticais e prontos assunto encerrado.
Num sistema realmente igualitário dir-se-ia eis os parâmetros para o cálculo do salário mínimo:
Salário mínimo para um agregado com um só homem adulto: 20 mil meticais.
Salário mínimo para um agregado com uma só mulher adulta: 20 mil meticais.
Salário mínimo para um agregado com dois homens adultos: 40 mil meticais.
Salário mínimo para um agregado com duas mulheres adultas: 40 mil meticais.
Salário mínimo para um agregado com um homem e uma mulher adulta: 40 mil meticais.
Por cada bebe são mais 5 mil meticais.
Por cada criança são mais 10 mil meticais.
Por cada adolescente são mais 15 mil meticais.
Por cada idoso são mais 20 mil meticais.
Logo um homem adulto sozinho teria o salário mínimo de 20 mil meticais mas um homem adulto com 4 mulheres adultas 5 bebés 5 crianças 30 adolescentes e 5 idosos o salário mínimo teria que ser nada mais nada menos que 725 mil meticais:
Homem adulto = 20 mil meticais.
4 mulheres adultas = 80 mil meticais.
5 bebés = 25 mil meticais.
5 Crianças = 50 mil mil meticais.
30 Adolescentes = 450 mil meticais.
5 idosos = 100 mil meticais.
Isso sim é igualdade, isso sim é um sistema igualitário. Um sistema que respeita às diferenças para garantir a igualdade.
Porque será que não existe no mundo um sistema assim?
Será que alguma vez vai existir no nosso mundo um sistema mais ao menos assim?
Se continuarmos a pensar com curto pavio e visão de curto prazo vamos continuar a defender uma igualdade para o aumento do salário mínimo quando o que precisamos é de pensar a longo prazo mudarmos a mentalidade e reformar o sistema até que este seja tão eficiente a ponto reajustar os salários mínimos por agregado familiar, conforme a real situação, as crianças crescem, os idosos morrem o salário é ajustado automaticamente pelo sistema. Afinal para que tantos economistas, contabilistas, tantas universidades? Para que???
Será um absurdo total?
Será uma loucura total?
Um salário mínimo de 725 mil meticais para um único agregado?
É impossível?
O quê é que nos impede?
Queremos ou não a igualdade? E se é que queremos a igualdade de que igualdade estamos falando? Estamos falando dessa igualdade por sector que não se importa para quantos membros vai cada um dos salários mínimos?
725 mil meticais parece muito?
Mas será que esse não devia ser o nosso sonho, o nosso objectivo a longo prazo?
O que não nos desafia não nos transforma!
Daqui a quantos anos, gostaríamos que o nosso sistema fosse totalmente e realmente igualitário?
Como faríamos isso?
Porque faríamos isso?
De que é que temos medo?
O quê é que nos impede?
O futuro é incerto sim!
Será por isso que acolhemos em grande escala e sem hesitação os pensamentos e planos a curto prazo?
Porquê é que temos fronteiras?
Porque precisamos de uma bandeira?
De que nos serve a constituição?
Porque é que elegemos dirigentes?
Pra que a educação, as escolas as universidades?
Qual o propósito da nossa moeda?
Se não para nos libertar, de que nos serve tudo isso? Para nos aprisionar? Se a resposta é não! Não é para nos aprisionar! Se a resposta for sim temos fronteiras para sermos livres dentro do nosso território soberano.
Se a resposta for sim pela nossa bandeira, pela nossa constituição, pelos nossos dirigentes!!!
Sim pela educação, pelas escolas pelas universidades!!! Então porque não estamos a estudar a liberdade financeira, porque não estamos a investigar o passado e prever o futuro porque não respondemos a pergunta: QUAL SERÁ O NOSSO SALÁRIO MÍNIMO DAQUI A 50 ANOS?
Vamos a isso?
Se a resposta for sim, vamos a isso, tarde ou cedo seremos libertos.
Ou podíamos simplesmente continuar cada um com as suas forças garantir por si mesmo o seu sustento?
Afinal porque uma nação? Porque uma sociedade? Será para o inglês ver?
Aliás porque salário? Porque não rendimento base, queira trabalhe queira não trabalhe, pelo simples fato de carregar a bandeira, ser o filho da terra, respeitar as fronteiras, venerar os dirigentes e sabe-se lá o que mais?
Será que faltaria trabalho, deixaríamos de nos divertir? O que mudaria no nosso modo de vida se realmente fôssemos rigorosamente igualitários pelo menos na distribuição dos rendimentos?
22 475 000 000 000 meticais para mais de 31 milhões de concidadãos ou seja 351 171 875 000 dólares digamos que por mês?
Teria que ser tudo em dinheiro?
Mas é claro que não?
Seriam as máquinas a fazer todo o trabalho?
Mas é claro que não?
Poríamos em risco de esgotamento os recursos?
Provavelmente não, a pobreza é que ameaça esgotar os recursos.
É superando os medos que se evolui.
Se nunca tentarmos nunca saberemos.
Mesmo que o futuro seja incerto o mais certo parece uma visão a longo prazo.
Se os objetivos imediatos, a curto prazo estiverem alinhados com a visão a longo prazo, tarde ou cedo chegaremos lá.
Não importa se aos 20 mil ou aos 725 mil, são só números!!! Importa é o quê consideramos igualdade, importa é o sistema, se nos serve a todos ou não.
É o que sonharmos hoje, o que acreditamos agora que vai definir o que seremos daqui a 50 anos… caso nenhuma catástrofe nos dizime.
Para o futuro incerto certos planos a longo prazo.
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NB: tudo que se parecer coma realidade é pura ficção.