🙏🏾 Querida Mãe 🌍

O chão que a gente pisa.

O sangue que a gente enterra.

A merda toda que descarregamos nela.

Mas ela encontra um jeito e dá a volta.

Dá-nos mais comida do que terramotos.

Dá-nos mais água do que seca.

Dá-nos tantas pedras preciosas e minerais tão valiosos.

Ela segura os oceanos por nós e nas suas profundezas gera tanto peixe, tanta beleza e mistérios para nos alimentar entreter e encantar.

Há quem julgue que ela não passe de um simples objecto. Há também quem acredita que se trata de um supercomputador.

Não, ela não pode nem deve ter sentimentos, defendem alguns.

Mas será que isso importa? Será que faz sentido comparar aquela que acolhe tantos tipos de vida e cuida de quase tudo que precisamos, comparar com os minúsculos seres que somos diante dela?

Seres que se precipitam e põem-se a brigar uns com os outros alegando que conhecem aquele que criou a terra para que ela pudesse nos servir!

Tão minúsculos que nos ajoelhamos procuramos no céu, acolhemos dentro de nós, um criador que cada povo define sua origem forma, nome e princípios.

Adoramos tanto aquele que criou a terra para nós que acabamos nos esquecendo de amar de cuidar de venerar de respeitar a própria terra que cuida de nós.

Será que não temos o dever moral de pedir perdão para ela, pelas atrocidades que fazemos com ela? Confessamos os nossos pecados e pedimos perdão somente a aquele que a criou e a ela nada confessamos e não pedimos perdão porque achamos que ela não tem vida, não tem sentimentos?

Mesmo que ela tenha sido concebida somente para nos servir, mesmo que acreditemos que ela não tem sentimentos será que não devíamos ao menos agradecer por tudo que ela faz por nós? Será que ela não merece um pouquinho de compaixão da nossa parte?

Até quando vamos tratá-la como um simples objecto sem vida própria sem sentimentos?

O quê perdemos se demostrarmos alguma compaixão? Porque será que não a assumimos como a nossa mãe, que nos amamenta, que nos cria? Porquê construímos nossas casas pesadas sobre ela e a exploramos freneticamente sem nenhum dó?

Digamos que sim, ela não é mais que uma fatia que nem a fatia de um bolo. Depois de comermos quantas fatias é que vamos nos lembrar que cada pedaço que cada migalha que engolimos para o nosso deleite desfaz a sua forma, destrói a sua integridade? Apesar de que na verdade nós não entendemos a sua forma a sua integridade por completo, não seria este mais um motivo para termos compaixão para com ela? Pode parecer absurdo demostrar sentimentos para uma fatia de bolo, mas todos os ingredientes tinham uma própria vida que terminamos para dar continuidade a nossa. É como se tivéssemos o direito de viver mais que todas as outras formas de vida que perfazem os ingredientes do nosso bolo.

Essa é a história da nossa espécie, que de joelhos, de pé, deitados de cócoras submetemos o peso de milhares e bilhões de fiéis a terra que não reclama, mas já começam a derreter os polos como que chorando e nós simplesmente não nos importamos pois assim como o bolo e todas as formas de vida que foram sacrificadas, sacrificamos a terra e todas as formas de vida que for preciso acabarmos com elas para simplesmente podermos viver mais.

Vamos viver mais sim, mas sem o peso na consciência.

Vamos adorar sim aquele que criou mas vamos também do mesmo jeito adorar a criação.

As fatias do bolo que acabam mais rápido, mas talvez porque pensamos que os ingredientes jamais vão acabar, relaxamos.

A terra chora, com um tsunami aqui, um furacão ali, um terramoto, uma erupção de um vulcão, secas, cheias, pragas mas a gente ignora a ela e vamos direto ao “nosso” criador pedir misericórdia. Parecemos uma criança mimada, que estraga seus brinquedos, sua bola sem nunca aprender a concerta-los porque pois papai vai comprar outro e novo. Como uma criança mimada não queremos crescer, fabricar os nossos próprios brinquedos, continuamos recorrendo ao bolso fundo do papai, que aprovisiona-nos com carros, mansões e tudo mais que julgamos que precisamos e nos faz nos sentirmos bem.

Não precisa ser uma guerra, não precisa ser uma correria. Vamos aprender a concertar os nossos brinquedos!

Precisamos aprender a falar e a escutar a nossa terra. Mais compaixão para com a nossa terra. Podemos explorar sim, mas cuidando dela do mesmo jeito que ela cuida de nós.

Equilíbrio.

Não deixe o vazio do cofre, ser o vazio na sua mente, o vazio no seu coração na sua alma, pois a medida que vai preenchendo o vazio do seu cofre é a sua mente se trancando naquele mesmo cofre, o seu coração tem muito mais para amar mas se estiver trancado no cofre só vai amar o que estiver guardado nesse cofre! É suposto a alma ser livre e vaguear por aí! A escolha é individual ou a gente escolhe trancar a alma no nosso cofre e deixar ela se debatendo com cada centavo que ganhamos e guardamos nele, ou deixamos a nossa alma livre para vaguear por aí.

A criação, o criador são mistérios além da nossa compreensão. Se por ventura alguém de entre nós entende totalmente a criação e o criador, ou alguma vez entendeu? Não seríamos mais pacíficos, mais prósperos, com menos danos, sem caos?

Construímos as nossas bombas para explodir os nossos inimigos mas junto com o nosso alvo está a terra, mas já que para nós ela não tem sentimentos, não sente dor trata-se de um simples objecto, um brinquedo que podemos danificar que papai vai nos comprar outro.

Que a terra continue chorando lentamente derretendo o gelo nos polos. Que a sua fúria continue sendo modesta, alguns tsunamis aqui e acolá, terramotos, erupções, secas, cheias mas que ela encontre um jeito de se reinventar, talvez punindo somente aqueles que a tratam mal.

Que a terra consiga se reinventar talvez premiando aqueles que a respeitam e que antes que a terra se reinvente sejamos nós a nos reinventarmos respeitando-a amando-a venerando a criação do mesmo jeito que tememos veneramos e amamos o criador.

Porquê confessar os nossos pecados ao criador, quando na verdade ofendemos foi a criação dele?

Primeiro acertávamos as contas com a criação e somente depois confessávamos e pedíamos perdão ao criador!

Não faz sentido rogarmos ao criador que nos ajude a entendermos, a amar a respeitarmos a sua criação.

Somos parte da criação, escolhemos criar?

Escolhemos engrandecer a criação? Ou acreditamos que com mentiras, poderes abstratos, governos fracos conseguiremos enxergar através da luz, encontraremos o caminho para a paz faremos a escolha que engrandece a criação?

Talvez seja somente com a verdade que dói.

Com poderes divinos.

Governos fortes.

Que enxergaremos além da luz.

Trilharemos o caminho da paz

Testemunharemos as escolhas que engrandecem a criação.

Não há melhor forma de agradar o criador além de amar a sua criação e estar eternamente grato ao próprio criador.

O chão que a gente pisa.

O sangue que a gente enterra.

A merda toda que descarregamos nela.

Mas ela encontra um jeito e dá a volta.

Dá-nos mais comida do que terramotos.

Dá-nos mais água do que seca.

Dá-nos tantas pedras preciosas e minerais tão valiosos.

Ela segura os oceanos por nós e nas suas profundezas gera tanto peixe, tanta beleza e mistérios para nos alimentar entreter e encantar.

Ela é a nossa querida mãe a terra. Que ela nos perdoe e que a amemos e respeitemos o bastante para que ela tenha compaixão de nós.

🙏🏾🙏🏾🙏🏾